
Zombas de meus versos, ò musa insatisfeita,
Sei que não são nenhuma prece
E nenhum deles sei que te merecem
Como frutos ruins que não te apetecem.
Sei que me falta o grande gênio
E que, para cantar tua beleza,
Só os meus anos é que amadurecem
E não melhoram os versos nem a destreza.
Sei que as imagens só te desfiguram
Pela falta de grandeza e a rima impura
Que não fazem jus à nobreza da figura
Que melhores coisas, certamente, inspiras,
Mas, não zombes assim de minha pobre lira
Que somente quis cultuar a soberana
Cujo orgulho, qual a beleza passa,
E quis apenas perpetuar tua graça
Nuns pobres versos ricos de carinho
Que, como eu, só peço um cantinho
Onde possa, do meu jeitinho, te glorificar...