terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Impossível carinho


Tu não escutas o meu desejo que, para ti, é uma língua incompreensível
E a minha ternura e querer
Hão de ser apenas um fardo inesperado. A suprema coragem tens
De dizer que não te importa
Quem sou, de onde venho
E, se acaso, vou para algum lugar.
E, com tanto que queria dar,
Me vejo assim
Com o coração despedaçado,
Com o remorso terrível de te ter amado,
Com a vontade irresistível de chorar.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Sem despedidas II





Estas cadeiras assim vazias
Estas cadeiras tão bem dispostas
São como se fossem meras amostras
Da minha alma também tão vazia.
Até penso que das prateleiras
Devem pender minhas melancolias
E que a flor solitária lá no vaso
Deve ser de imitação somente
Afinal sem você nem por acaso
Pode ter vida em tal ambiente.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Perpectivas ?



Há coisas que não entendo
E que nunca entenderei.
Um dia você foi embora
Dizendo que me amava
E o caos implantou em tudo
Até no que eu pintava.
Meus quadros tão naturais
Transformaram-se em borrões
Idealizava uma paisagem
Caíam raios, trovões...
Há coisas que não entendo
E que nunca entenderei.
Você não deu mais notícias
E fiquei assim tão zen
Que todas as minhas telas,
De perspectivas, ficaram sem.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Mulher


Ó doce formosura de olhar de mel, cabelos de espiga de milho, lábios de paixão e ar de desolada. És a própria figura de quem nada procura E, no entanto, tão bela que me inspira o canto; tão suave que em qualquer canto posta como uma clave de sol dá o tom e a harmonia da beleza e do brilho com o qual qualquer artista sonharia. Para a outra foto: É neste último momento que ainda tento recuperar a imagem que me parece a um só tempo de sonho e de esplendor, apesar de completamente desfocada. Entre um fugitivo seio e torres de palácios antes do profundo sono da morte me concentro na tentativa vã de salvar o resto de um sonhar como a buscar um amanhã que se perdeu. É um esforço insano. Logo, logo há de cair o pano E o ator e o espetáculo, como a tela e o tempo, já se perderam como sonhos de um passado de um desmemoriado.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Brincadeira




O xadrez é o tapete,
Mas também o banco. Talvez o branco. Seja meu.

Na parede.As letras.A arte infantil de fazer palavras me anima. Na vida exijo rima.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A morte invento





Cortei os pulsos...
Agora, que o vermelho se espalha
Na brancura dos lençóis,
Penso como a vida dói
Como é afiada a navalha.

A vida é uma peça.
Meu suicídio,
Um ato mal escrito,
E, vejo, neste momento, claro
Como o mundo é tão bonito
È que só preciso de um mês...
Um mês só,
Para te esquecer....

Não terei tanto tempo
Tudo me parece rápido
Neste meu pensar tão lento...
E nem viver mais tento.

Nunca pensei
Que fosse tão fácil
Morrer.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Ausência





Sei que, às vezes,
Na minha mansidão
Devo ser completamente louco,
Embora, ser louco,
Para eu, é muito pouco.


Sei que, muitas vezes,
Parece longa a ausência
Do mundo tão alheio.
De permeio não tenha receio.
Desapareço
Como forma de recreio.


Sei que, raras vezes,
Sou suportável.
Agradável é exercitar a solidão
Acompanhada
Estou presente ainda que na estrada.
E quanto mais confio
Mais desapareço.
Tenho mais e muito menos do que mereço.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Brincadeira de criança













Como crianças correremos pelos campos
E brincaremos, nos perderemos,
Nos sujaremos como crianças.

Como crianças, de esperanças cheias,
Sob o céu azul, as árvores e sobre as pedras
Levaremos nossa alegria pelos caminhos.

Como crianças, ricas de imaginação,
Num mundo de faz de conta,
Vamos fingir que um beijo não é nada.

Agora que a noite já não tarda.


sexta-feira, 20 de julho de 2007

A Lacuna da Paisagem


Subirei no monte, subirei.
E lá, é certo, o mundo é belo
Mesmo sem a predominância do amarelo.
No monte, no monte subirei.

Perderei a visão das rochas e do verde.
Sempre se perde algo no movimento
E não há tempo para o lamento
Se não a vida é que se perde.

Do alto, tudo parece pequeno.
Assim como nada é belo sem teu amor
Viro um Van Gogh num mundo sem cor
E sem teu sorriso a paisagem é veneno.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

A arte do amor








A mesma cena

Não é a cena mesma.

O beijo de verdade

Tem outra beleza

Que não há no beijo do cinema.



Entretanto a ilusão é a arte.

A ilusão faz parte

Da vida e do cinema

E, no fim, entre os beijos

Não se sabe

Qual a verdadeira cena.



A beleza, da vida e do cinema,

Brota da fotografia

De Fabio Machado

Que capta os dois lados.

terça-feira, 29 de maio de 2007

O FUTURO NA GARGANTA




Não há sol
Nem garganta
Nem futuro
De toda sombra, do escuro
Só emerge o som...
Da música é que há de vir
As palavras, o perdão, o amor...
Pode ser que não seja
Belo como a flor
Pode ser que corte
Como a faca ou a navalha.
O importante é que valha
Como valeu o nosso amor.
O importante é que seja cor de rosa,
Verde, amarelo, quem sabe azul
E brote, como o Cruzeiro do Sul,
Fazendo luz
Sendo o berço da alegria, da beleza e do prazer
E com a energia e a vida
Que só o Garganta do Sol no Futuro
Pode nos trazer.
A garganta canta
O sol
Que, no futuro, há de brilhar
Como só os videntes podem ver.

Experiência Solar












Ainda há sombras

No sol da garganta
Mesmo quando canta
O futuro ainda não chegou...
Mamãe eu não me engano!
O cotidiano
É que nos enganou
Abrindo este abismo
No qual estamos
No qual estou
De braços abertos
Como um Cristo que não se perdoou.
Os reflexos podem ser as verdades
Como as verdades podem ser as ilusões.
Brincamos de cabra cega
Enquanto eles ganham milhões
E afundam o Brasil
Como se fosse um Titanic de brinquedo,
Um rap, um rapto, um camaleão...
Não! Nem respirar, nem existir, nem andar
Meu sonho é voar
Na música, na poesia, na experiência,
Na fumaça que nos fantasia.
A minha demência
É ser real
Soar como se o complexo
Fosse natural,
Como se a vida fosse a música.
É consertar o mundo
Nem que seja o digital
E ser apenas um descobridor
Da vida, do gozo, do amor.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Anjo sem face




Em dias assim frios e nebulosos
Sou um santo
Embebido em vinho e pão
Só penso na carne
Em gozos, gemidos, prazer...
Coisas que ardem.
Contra os que não vêem
Minhas asas ou meu halo
Só posso dizer que me sinto leve
E, com álcool, vôo..
(Até me sinto perto de Deus)
Pena que a vida seja breve,
Breve, tão breve....
E haja esta distância do corpo teu...

domingo, 6 de maio de 2007

EROTISMO DO CORPO



Teu corpo, meu bem, é verde

E é amarelo, roxo, vermelho.

Teu corpo é o espelho

De todas as cores.

Teu corpo tem só a cor dos amores.

Teu corpo, meu bem, é alvinegro,

Mas também verde e amarelo.

Teu corpo é apenas belo

Um caleidoscópio multi-facetado.

Teu corpo é um camaleão encantado.

E uma fogueira que queima o ser amado.


quinta-feira, 26 de abril de 2007

Releitura da máscara


Lembro dos meus esforços infantis

Para entender os olhos negros da máscara, dilatados,

E, como o rosto, cercados de frisos verdes,

Que pareciam um longo cipó...

Havia também os disformes lábios vermelhos,

Carnudos, grandes, sempre fechados, silenciosos.

O nariz dominante, um tronco central,

Do qual emanava a impressão de que fingisse estar imóvel e só.

Intrigante era a aranha solar, com suas múltiplas pernas,

Que se dizia que, de noite, saía para pegar quem mentia.

Era uma máscara estranha, bela, incompreensível e viva.

Muito depois, quando adulto procurei-a inutilmente,

Tentando decifrar o seu significado

Descobri, de repente,

Que se tratava apenas de arte,

Incompleta, desigual, mutável

Como a vida.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Visões do jardim



Talvez os deuses sejam mesmo astronautas
Assim como os marcianos podem ser invisíveis-
Hipóteses que podem ser terríveis.

Do lado da casa vejo o verde
Nenhum menino com seu dedo me incomoda.
Só a imaginação que longe roda.

O concreto é o quadro, são as árvores
Cercando toda a casa de madeira.
O mundo, a poesia, brincadeira.

sábado, 7 de abril de 2007

O Cotidiano,segundo Spersivo



Cotidiano

Esta mania de fazeres tudo igual

De uma forma assim completamente diferente

É como a alegria

Que em pleno o carnaval

Introduz uma névoa de dor tão lentamente

Que no açúcar põe um sabor de sal.

Poderia insistir que não fizesses

O que fazes sempre assim tão docemente,

Porém pressinto que se fosses diferente

Mesmo assim farias tudo sempre igual.

E, na verdade, tu és tão criativa

Que tudo igual parece diferente

E já não te vejo como via antigamente

Quando a cor parecia em ti tão viva

Sem essas sombras, às vezes tão, sutis...

Que põe em equações o xis.

Tu te repetes e, no entanto outra és.

Tu te repetes e outra tu não és.

Tu te repetes e neste repetir se inova

És como a vida: a mesma e sempre nova!

quarta-feira, 28 de março de 2007

Sem você

























Havia um tempo

Onde o teu amor era meu
E o sabia
Sem precisar de palavras ou fotografias.


Havia um tempo
Onde o teu amor era meu
E o mundo mágico e melodioso
Seguia o ritmo de teu olhar formoso.


Hoje, olhando o caos que ficou,
Vegetando como se vida fosse,
Só me resta a lembrança doce
E perguntar como foi que acabou..

Onde minha vida se perdeu?

sexta-feira, 16 de março de 2007

O Caminho Solitário


O caminho até o mar continua o mesmo

e a mesma água azul meu olhar acompanha

Que a mesma areia ainda banha

tudo parece ter o mesmo jeito.

Não há no entanto nem uma pessoa

que indique que na beleza haja vida

nem sinal de você minha querida

ou um som pra quebrar a quietude.

Se tudo aqui está na mesma

espero que rapidamente mude

e me traga você. Oh! Deus me ajude!

Que é muito azul e paz até demais!

quarta-feira, 7 de março de 2007

Oriental


Esta sua aparente indiferença oriental

Tem a resistência de um copo de cristal

Que se desmancha no primeiro embate

Meu olhar quando no seu bate

Exceto na gravura onde não há olhos

Fazem com que sua alma inocente se espalhe

Num rubor mais vermelho

que o da sua blusa

Se ninguém percebe a paixão oculta

que não revelam os gestos e a falsa quietude,

É bem melhor.

Há certos manjares

Que são melhor apreciados só.

domingo, 4 de março de 2007

O desamparo Azul



Talvez se tivesse forças subisse as escadas

Talvez a maré cheia venha me lavar...

Talvez o muro de pedras desmorone

E tudo não tenha mais nenhum significado.

Talvez este desalento

Este desamparo

Seja só porque toda saudade é uma forma de velhice

Ou talvez , não existisse

Se estivesses do meu lado.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

A solidão das Esculturas







Unidas eternamente

numa proximidade tão distante

De barro, areia e água

As esculturas pareciam tão humanas

que tive ímpeto de acariciá-las.

Depois, pensei melhor,

E vi que, como nós dois,

Haviam, na verdade, ali, prisioneiros

eternos

E toda minha ternura foi embora

Com a constatação de que as figuras

Só reproduziam a solidão humana.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Sol & Lua





EU, SOLZINHO

O sol, em tons de laranja,
Se espraia num beijo vermelho
Sobre o mar.
Eu quis também te amar
Assim com uma incomensurável imensidão,
Mas, ao me espalhar,
Sem ter grandeza
Fiquei pequenininho
Em tuas mãos.



FEITIÇO DA LUA

A gorda lua,
Semi-coberta
Por um escudo negro,
Fingindo que é só uma meia-lua
Nos olha com um olhar
Que tem segredos.
A lua sabe,
Poderosa feiticeira,
Que com o luar nos prepara
surpresas
E, mais ainda,
Que somos presas
Fáceis do encanto e da paixão.
A culpa é dela.
Vem, me dá tua mão.
Não te preocupes
Com o futuro e a ilusão.
O resto virá depois
Com as mudanças da lua
E a vida é bela!

O encontro da Imagem com a Palavra.

Minha foto
A fotografia interagindo com a poesia...num encontro triunfal.