quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O sumo dos contrastes


Na mão de pedra da divindade

As obras do homem

Parecem que invadem a santidade,

Mas, não, elas enfeitam as pedras

E, de fato, rosas são,

Coloridas e formosas

Por darem vida à pedra

E, como artefatos do trabalho,

Se multiplicam ao olhar

De quem sabe

Que só a fé pode nos salvar.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Coração & Desejo






É um coraçãozinho de bolinhas vermelhas

E vermelhas beiras

Que aperto na tua ausência.

É como se fosse o afeto

Que espalhas

Sem consciência

De que a beleza afeta as coisas

Não inanimadas.




Guardo o teu coraçãozinho

Com um carinho

Que nem podes imaginar...

Talvez por ser tão fofo

E tão inconsciente

Desta minha crescente

Vontade de amar.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Eu quero te dizer


Eu quero te dizer, minha menina,

Que és como um quindim,

Doce, doce para mim.

És também, talvez,

Pela proximidade do mar

Também salgada

Como se bolacha fosse

De água e sal,

Porém, és mais que massa,

Doçura e sal.

És uma santa pecadora

Que criou o carnaval

E ainda por cima

Devo dizer

Que não fotografas nada mal

E tuas palavras

Me enchem de alegria e de saudade

Apesar de na minha idade

Olhar para você

Como quem sonha

Com o que não há mais

E mistura a ilusão com o real

Num sonho

Que tudo tem de natural.

terça-feira, 25 de maio de 2010

N.S




Uma Nossa Senhora no oratório

Com o Jesus Menino nos seus braços

Se perde na lonjura dos espaços

Se encontra na mágica da fotografia.

Uma Nossa Senhora pendurada

Como se esperasse que o sino e a sua sombra

Trouxesse os fiéis para uma prece.

Uma Nossa Senhora que parece

Só precisa saber que existe fé

Para que no branco do teto

Se projete a proteção

Para o povo que padece

Que só espera a esperança e o amor

Num mundo que tem tanta dor.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Canção


















Nem sempre o que mais reflete luz

e domina o ambiente

é o que toca no coração da gente.

No mundo eletrônico de hoje

As imagens dominam tudo

E fazem todas as coisas

Passarem rapidamente.

No entanto, há coisas que são

tão preciosas e permanentes:

a água, a foto antiga daquele encontro,

o vaso de flores, as xícaras chinesas,

que nos informam sobre a delicadeza

que o mundo deve ter.

Olho a paisagem, a arrumação

e, em tudo, percebo a canção invisível

de tuas mãos, da beleza que vem de você.

domingo, 21 de março de 2010

Mais um motivo



É nos detalhes

Que percebo tua delicadeza.

Sejam os vasos e as flores

Ou no espantalho de pano

Em tudo tu procuras a beleza

E é também por isto:

Que te amo!

Inigualável



Há o teu encanto

Nos pequenos pratos que me fazes.

Há o sabor

Oculto de tuas mãos

Que benze os molhos e o pão

Com o gosto inesquecível

(Para quem prova )

De teu talento

Para buscar de cada alimento o melhor.

Há o teu amor

Que multiplica em tudo

A beleza grandiosa

Que enche a vista e a boca de água

Antes mesmo

De verificar

Que comida igual à tua não há.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Versinhos desprezados



Zombas de meus versos, ò musa insatisfeita,

Sei que não são nenhuma prece

E nenhum deles sei que te merecem

Como frutos ruins que não te apetecem.

Sei que me falta o grande gênio

E que, para cantar tua beleza,

Só os meus anos é que amadurecem

E não melhoram os versos nem a destreza.
Sei que as imagens só te desfiguram

Pela falta de grandeza e a rima impura

Que não fazem jus à nobreza da figura

Que melhores coisas, certamente, inspiras,

Mas, não zombes assim de minha pobre lira

Que somente quis cultuar a soberana

Cujo orgulho, qual a beleza passa,

E quis apenas perpetuar tua graça

Nuns pobres versos ricos de carinho

Que, como eu, só peço um cantinho

Onde possa, do meu jeitinho, te glorificar...

O encontro da Imagem com a Palavra.

Minha foto
A fotografia interagindo com a poesia...num encontro triunfal.