sábado, 27 de dezembro de 2008

F i m de A n o



Quando o ano finda
As emoções começam a ser mais fortes
E o ar de Natal
Nos faz ficar assim
Suspensos
Entre a alegria da vida
E a tristeza da morte
Subvertendo o cotidiano
Que nos faz confortavelmente mecânicos
E nos lembrando
Que somos apenas humanos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Canção dos Marinheiros




Não gosto das ondas
Eu gosto é do mar
Do alto mar.
Só do preciso
É navegar,
navegar

Gosto, algumas vezes, do cais,
Mas, se demoro mais,
Porém, me cansa.
Gosto mesmo é do mar,
Do alto mar
Até aonde a vista alcança.

Navegar,
navegar
é meu prazer e destino.
Lá no mar
Quanto mais velho
Mais me sinto menino.

domingo, 23 de novembro de 2008

Cançãozinha




O único grande desejo
Deste seu pobre poeta
É que meu canto seja
Mavioso como o dos passarinhos
Despertando você
De manhã bem cedinho.

domingo, 26 de outubro de 2008

Percepção




Não vivo o outro lado do amor.

Só a saudade constante

Que me leva adiante

Seja lá como for.

Só o desejo que latente

Nunca parece próximo de ser satisfeito.

Assim como se não houvesse esperança

De nada ser perfeito.

No entanto, bem lá no fundo,

Bem no fundo de mim mesmo,

Sei que não será assim

E, lentamente, sem nenhuma pressa

Me preparo, cuidadosamente, para a promessa

Da alegria de teus beijos

E a festa do prazer

Que um dia há de acontecer.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

NAS ENTRELINHAS




O que me fez ficar.
Talvez
tenha sido o teu olhar
com jeito de moleca
numa mulher .
Em todos os sentidos seria

o que me impediu de ir
.
Foi o teu jeito manso de sorrir.
Que prometia muito mais
do que as palavras poderiam dizer...

domingo, 31 de agosto de 2008

S u m o






Entre eu e mim, há vastidões sem fim Para navegar entre sonhos desfeitos. Descem pelo tempo as bolhas das ilusões Que espoucam sem cessar as esperanças E nesta correnteza em que o barco despenca Só recebo cinzas no final das danças. Agora sobre a existência que contemplo Percebo só como virtude a tolerância Ao abandono da felicidade e da beleza. Oh! Meu Deus, como a vida me parece vã Como uma pena errante que flutua ao vento E cai, em qualquer canto, sem ruído ou lamento Sem se importar com o hoje ou o amanhã.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Relíquias


Agora já perdida toda utilidade O velho telefone Já não serve mais Para contar segredos, alegrias, amores, medos. Também não tem memória E serve apenas Como lembrança de glórias Que ninguém sabe quais são. É uma peça de museu: Feito você e eu- Como o amor que se perdeu- Tão-somente um objeto do passado A quem se dá um olhar Distante e desinteressado.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Desarrazoado




Talvez não seja o momento.
O momento nunca é.
É só o cometimento,
A ocasião, o sentimento,
Desejo, paixão, o agora, o já, o é.

E nunca houve o havia.
É certo não poderia
Desejar o que desejo,
Mas a importância que vejo
Não está mesmo no beijo
Que é só o gatilho, a explosão.
Melhor que tudo é a ilusão.

A posse, a consumação
É o inicio do fim.
Então ficamos assim:
Eu digo não;
Você, sim.
"Mande lembranças de mim".

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O efêmero


É preciso amar o efêmero

Que, no mar do tempo,

Arrasta a caravela da vida.

È preciso amar o efêmero

Porque só há, de fato,

Ele ou a oportunidade perdida.

É preciso amar o efêmero

Porque só nele há

Paixão, gozo e vida.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

SEM RETORNO (Ou A vida não é vasilhame)



Há entre nós a sombra, a inevitável sombra de um tempo que não voltou. Como um cálice partido a magia que havia, agora recomposta, mostra os pedaços e tudo parece sem o mesmo brilho sem a mesma cor até mesmo o amor. Pode-se dizer, como recurso, que, afinal, o que vale é o líquido. Pode ser... Mas, infelizmente, mesmo o sabor, pode crer, foi perdido ou é mesmo a língua que não sente mais o sabor antigo. Nem o maio é o mesmo. Nem eu, nem você, nem o amor, nem o prazer. E, no entanto, era tudo que queria ter.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O Princípio do Caos




Tentei enfeitar teu corpo de rosas
E, no entanto, as estrelas

Pareciam te cercar
E o sol no teu umbigo a bailar
Me prometiam que o
Céu ia dançar
A dança sobrenatural do amor.
O teu perfume, os teus cabelos .
Se misturaram com o ar
E a linha do horizonte.
Nem sabia mais distinguir.
Vales de montes, saliva de chuva, seios de luas.
Tudo, tudo Era somente a carne tua.
E uma explosão de mundos e desejos .
Para fugir dos teus perigos
.
Me afundei
desatento na confusão que se fez .
De todos os elementos materiais .
E nunca mais tive abrigo nem paz .
Sempre querendo mais…


sábado, 5 de abril de 2008

A Luz Real


Um abajur azul,

Com sua arquitetura enviesada,

Lança luz e sombras

Sobre as paredes

Que só ostentam, agora, os traços

Do quadro, que nem lembra-

Tão expressivo-

Que um quarto é sempre

Feito para o amor.

Está tudo azul

Parece em toda parte,

Mas, sigo, infeliz,

Buscando na arte

A felicidade que se foi

E a alegria,

Que só o teu sorriso me trazia,

Com a verdadeira luz azul

Do nosso amor.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Descaminhos



Não é fácil ficar sem você.Porque é o mesmo que me negar a viver.Mas também não é fácil estar com você
sem andar de mãos dadas,sem fazer carícias,
sem dizer palavras de amor
e percorrer o delicado caminho do desejo,
da paixão, do prazer e da loucura
que somente os amantes conhecem. Não consigo ir nem sei mais como buscar
o muito que perdi.
Não sei para onde ir
nem tenho razões para voltar.
Desejaria só acompanhar teus passos
para não ter esta permanente saudade
que entristece os dias
e me faz ser
a sombra do que fui.
E sinto que,
Longe de você,
Meu mundo foge
Como se os caminhos fossem virtuais
E não houvesse realidade mais...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Pormenores







Atravessei contigo as ruas de Ipanema
E a tarde luminosa
Parecia de cinema
Quando me destes a mão...
Não sei se tremíamos
Por causa do vento,
Ou do momento,
Quando começou a chover..
Pensei que poderia morrer ali,
Mas, pedi a Deus que nos deixasse
Viver, pelo menos, um pouquinho mais...
E o barulho dos nossos corações,
Que batiam aceleradamente,
Me deu medo de que todos
Os passantes soubessem
O que, inevitavelmente,
Nós íamos fazer...
Tanto era o prazer.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Aceitação





Há um tesouro mais que precioso
Muito além de tudo que posso ter agora.
Há, sei que há.
E minh’alma que tenta se enganar,
Com arrodeios em volta de outras miragens,
Inconscientemente se conscientiza,
Alma errante e pecadora,
Com o recado que vem da brisa,
Com o perfume que vem do mar
Que o tempo há de chegar.
Por enquanto, só nos meus sonhos,
Nos meus sonhos mais profundos,
Vejo a silhueta da mulher
Num pano de fundo
De espuma, céu e mar
E, suspiro, um suspiro bem fundo,
De quem tem vontade de amar.
É só uma questão de tempo.
Uma questão do vento me levar.
Uma questão de aceitar
O inevitável.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Toada




Seu rei mandou dizer
Que a rainha não morreu.
Quem pode morrer de amor
Sou eu,
Sou eu.

Faz tempo que tô tocando
Esta boiada de boizinho azul
De sul a norte
De norte a sul
Sem achar o amor no meu caminho.
Chega, meu amor,
Chega logo.
Devagar, devagarinho...

Faz tanto tempo
Que toco a boiada
Que até os bois
Não são mais iguais
Ficaram azuis, azuis demais
Até parecem passarinhos.


Eh!Boi!Eh!Boizinho!
Ser tão azul é bonitinho,
Mas cansei de estradas
E de caminhos
Só quero amor, carinho e vinho.

Seu rei mandou dizer
Que a rainha não morreu.
Quem pode morrer de amor
Sou eu,
Sou eu.

O encontro da Imagem com a Palavra.

Minha foto
A fotografia interagindo com a poesia...num encontro triunfal.