
Lembro dos meus esforços infantis
Para entender os olhos negros da máscara, dilatados,
E, como o rosto, cercados de frisos verdes,
Que pareciam um longo cipó...
Havia também os disformes lábios vermelhos,
Carnudos, grandes, sempre fechados, silenciosos.
O nariz dominante, um tronco central,
Do qual emanava a impressão de que fingisse estar imóvel e só.
Intrigante era a aranha solar, com suas múltiplas pernas,
Que se dizia que, de noite, saía para pegar quem mentia.
Era uma máscara estranha, bela, incompreensível e viva.
Muito depois, quando adulto procurei-a inutilmente,
Tentando decifrar o seu significado
Descobri, de repente,
Que se tratava apenas de arte,
Incompleta, desigual, mutável